domingo, 30 de setembro de 2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Chulear

O ponto de costura sempre
aguarda pelo fio
 para deixar de ser
reticência
 que perfura.

Maira Garcia

O índio e a Iara

O indiozinho faz manha toda manhã,
dormindo na beira de algum lugar,
fingindo sentir frio,
mas Iara está ao seu lado,
protegendo,
correndo,
ocupando o outro lado do rio.

Maira Garcia

Em reticências...

Quis se perder
no ponto final das palavras.
Das  palavras que foram enviadas
Enviadas para se encontrar
de se perder.
Nesse vai
e nesse vem.
Num canto escondido,
nas dobras,
nos sustos,
nos gemidos
sustenidos
 de outro
            alguém.
         ...
Maira Garcia

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

E o casal, será que rima?

Será que o casal combina?
Ou está fora de si?
Enquanto um acredita que fazem amor,
o outro fala, enquadra
e rima
como se estivesse
numa rinha
 de MC.

Maira Garcia

terça-feira, 25 de setembro de 2012

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Hertz

 Ouvindo a voz soprada em cada linha,
Que é pra não sentir saudade,
             Sua sina.
     
           Maira Garcia

domingo, 23 de setembro de 2012

Querência

querência
me faz morder a língua,
querência inda vai me levar pra Índia.

Maira Garcia

Luz do oceano

Luz do oceano,
Que ninguém segura
Ninguém te segura.

Maira Garcia

Originariamente em preto e branco

Um homem branco,
trajando calça jeans e tênis de marca.
Trazia estampado no peito um anjo negro
que voava.
Bastava a camiseta
mover os braços.

Um homem negro,
trajando calça jeans e tênis de marca.
Trazia estampado no peito um anjo branco
que voava
Bastava a camiseta
mover os braços.

Maira Garcia

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

De amante

Mui cara,
para o bem
de quem
se quer bem
Joia rara,
quebrantada,
essa tal
de lucidez.

Maira Garcia

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Relógio de cordar

Relógio de corda
precisa corda dar
Mas com o pulso,
e a mão
fingindo de cair
faz que a hora também volte,
 e faça a volta,
e o favor
de funcionar;

Maira Garcia

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Poeta da perifa, da leste, sem rifa.

Ele todo
se quebra,
 percorre,
 é do centro,
da leste,
 das perifas
e dos corres.
é um querer querido
de ler,
que se entende,
 respeita
 e não insiste,
 quando seu ser,
escrito na pegada,
escrivinhado,
fica restrito,
entrando na mente
do infinito,
e na quebrada
desenhado no insisto,
deixa suas letras
e pentes
 de rap
na gaveta,
esquece
 a rima,
o repente,
e a beleza,
e
 a ausência dela
que se confirma em certeza,
e simplesmente
some.

Maira Garcia

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Desen-canto

Desencanto a gente canta, encanto também,
Desencanto de sarar a gente canta
Senão dança, também.


                                    Maira Garcia

São de algum lugar

Quem será o salvador?
Dali ou de lá,
quem se salvará?

Maira Garcia

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Sombrinha de São Jorge no Centro de tudo.

A sombrinha passava na calçada da Rua Boa Vista, perto do meio dia, e o rapaz das bolsas de valores que restaram no centro de São Paulo, ia a fumar em comboio com seus colegas. Quando isso se passava, era um não aguento daqueles!
E lá se via a sombrinha, que sumia até chegar no Pátio do Colégio, todo santo dia para almoçar. Um meio dia desses, de rachar sem proteção, quando ela passeava de Lua, ele resolveu estacionar em seu guarda-sol, para descobrirem seus rostos.
Se enroscaram, de pronto, ela fechou seu arsenal de pele, que de tão branca ofuscou os olhos do moreno. Descobriu-se que não tinha medo de Sol, apenas temia o calor de um moreno. A noite do mundo ficou muito pequena, e feito ponta de lança de uma sombrinha que sempre vinha, voaram juntos até a Lua de São Jorge, na parte escura, aonde se pode namorar em segurança, em pleno Centro de um santo enorme chamado São Paulo. 

                                                    Maira Garcia

                           

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Ipê.

Com um IP,
alguém religiosamente nos vê,
não se sabe quem é,
esse ser,
se é de lá que vem,
se é um spy,
se é do mal ou do bem,
sem tem o mesmo fuso,
se é luso,
 nesse espaço cyber-laico
que só de visitar em egrégora
com muita graça,
 no mesmo horário,
acabou fazendo do seu texto,
imagem e prosa,
 seu secreto relicário.

Maira Garcia

Lei do desencontro

Dois pontos se encontram,
mas não formaram uma reta.
Um dos pontos explica que existe um outro ponto longe.
O outro ponto explica que tem um ponto que ainda não existe
em outro ponto perto.
Mas os dois pontos decidem se tocar mesmo assim.
Um queria mais, o outro queria menos.
Um tinha força demais,
o outro tinha força de menos.
E chega a velocidade do encontro.
Com a Força da massa aconteceu a
aceleração.
No meio da aceleração, um ponto
lembrou do outro ponto distante.
O outro ponto ao ouvir sobre aquele ponto,
em segundo plano, nem te conto.
Depois do encontro, o ponto que tinha mais força
continuou com mais força e velocidade para chegar
naquele outro ponto distante.
O ponto que tinha menos força, além de ficar
sem o tal ponto do encontro,
sem aceleração,
não conseguiu ver o ponto de fuga,
que se foi com a velocidade da luz.
Sem cálculo preciso, o ponto que ficou foi atingido
por um fenômeno comum,
que até hoje a Física de nenhum físico sabe explicar,
o que acontece com um dos pontos, depois que um espaço
não ocupa o mesmo lugar.




(Tudo tem um ponto de vão e de vista, nada é em vão)



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Centelha

De que é feita a pureza deste grão?
E que pedaço do céu caiu
pra ter isso aqui no chão?
         
           Maira Garcia

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Quando se esbarraram.

Sem enxergar se esbarraram,
Por não se ver se deu a forma,
a forma que se encaixaram.


Maira Garcia


domingo, 9 de setembro de 2012

Voltou para Rita

Amanhã ele volta pra Rita,
sem divagação,
não divagará mais,
terá um ponto fixo.
Fim do desejo,
não desejará mais.
Levará no peito apenas
um crucifixo e seu beijo.
Sem sufixo,
perto de Alentejo,
finda solidão,
noites em claro,
não mais.
A Rita que é de todo bonita,
freia seu desassossego,
menos lágrimas,
menos ardência no peito.
Amanhã com sua volta,
o agora volta a ser
sem demora o agora,
e o agora
voltará a ser
seu cais.

Maira Garcia

sábado, 8 de setembro de 2012

De Cupuaçu até Tapioca.

Ela não sabia se pedia uma salada de fruta,
a divagação sensibilizou um rapaz no balcão:
-Leva esta de doce de tapioca com frutas!
Sugeriu e ela escuta.
Ela não queria doce, o seu de cupuaçu na hora do almoço ainda lhe fazia doçura,
mas aceitou a sugestão do moço e fizeram um puxadinho
da conversa na melhor vista, sem frescura.
O doce não era muito doce e a conversa distraiu qualquer vontade.
A conversa ganhou vão de escadas, passeio até a estação e não teve
beiju de doce, apenas disposição e o segurar de algumas malas
que a gente puxa na mão.
Ela não desceu no Brás, voltou para a Espanha
e ele no mesmo sentido foi voando para o Japão.

Maira Garcia

Drive in

Um luminoso lá fora,
teimava invadir suas cortinas ciliares
de um escuro sem demaquilante.
Mas no fim do mundo,
naquela hora,
era um travesseiro quem sussurrava
palavras de um dia diamante:
- Não se apaga de nenhum jeito,
essa luz cheia de efeito
que eu vejo
aqui dentro
de você.

Maira Garcia

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Disse que não, mas veio.

Veio,
me leu,
me levou.
Veio ver, veio ler, veio me.
Não posso falar de que meio.
Não fala, não ouço sua voz,
e veio.
Meu quase nada, meu quase tudo,
minhas vogais e consoantes
interjei-tadas.
Veio pra nunca mais voltar,
de madrugada,
em sonhos,
no rosto que eu não vejo.
Meu esteio.
São impressões,
sem digitais,
sem sussurros,
sem canções
declaradas,
sem ais,
sem sal,
sem mel,
saliva,
noitada.
Mas,
veio.

Maira Garcia




quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Cheio de graça

Um doce perdeu a graça na mesa,
 diante de outro doce cheio de graça
                                  de sobremesa.
             Maira Garcia





terça-feira, 4 de setembro de 2012

Quantas enquantos.

Quantas folhas caem em árvores de alvoroço?
Quantas rugas surgem até sorvermos folhas?
Quantos mármores descobertos para servirem lascas?
Quantas pessoas partem para nos ver chegando?
Quantos músculos choram para servirem sorrindo?
Quantos enquantas?
Em quantas porções de esperanto?

Maira Garcia


domingo, 2 de setembro de 2012

Quê doçaria!

O moço chegou feliz e folheado,
Sai do banho, Maria!
Não fica aí fazendo doce, menina!
Chegou seu namorado!

                       Maira Garcia