terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A tua ausência

A tua ausência chegou a passar fome,
 mas deixa, que ela come o que todo mundo come.
 A tua ausência é enorme,
não cabe na cama,
mas dorme,
 onde todo mundo dorme,
 que na essência,
 esteja onde você estiver,
 deixa, que a tua ausência
 come, acorda e dorme
 sempre comigo.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Os anos brincam de passar

Os anos que passam,
são como os meninos que brincam,
sem perceber o tempo passar,
o bicho homem que passa,
é quem tem mania de contar.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Meu cartão

O caminho do meio, 
um lugar na plateia, 
a boa ideia,
sem pinga, 
o pão quentinho, 
o cheiro de café coado na hora, 
a mão amiga, 
e uma boa presença de palco na vida.

É o que desejo, do meu itinerário 
no 2014 imaginário, de cada um de vocês.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Sem traumas

A paixão roubou tanto coração,
que o amor perdeu o medo de assalto.

Foi um assalto?

Na passarela,
eu não ia ser assaltada,
ele ia usar a sua droga de droga,
assustados, restou
 um aceno ao irmos
embora,
embora
quiséssemos no tchau,
pedir perdão.

Alguns minutos depois de uma tentativa de assalto,
numa passarela, perto das 9 horas
de uma noite como esta, de hoje, véspera de ano novo.

A resposta que chega na bola de sabão

Encontrei um casal de amigos, estavam com a filha pequena e tentei conversar com a menina.
-Quem você acha que se parece, com seu pai, ou sua mãe?
 E me respondeu, enquanto tentava formar bolas de sabão
 no meio do corredor:
-Não sei, sou apenas uma criança. E saiu andando.
 Mais tarde, com as bolas de sabão cada vez maiores, e avisando que viriam em minha direção, refiz praticamente a mesma pergunta:
-E agora, já pensou com quem você se parece?
-Não posso falar ainda disso, tenho apenas cinco anos.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Dançar para não dançar, segunda faixa do disco

A proeza pra se fazer
entender a beleza
de se fazer e abraçar,
quando não dá pra ser outra coisa,
é ser amigo,
da dança de não se amigar.

E ao dançar algo conciso,
torna-se a brincar,
como se fosse amigo antigo.

Que seja sem arreganho,
vai por amor ao rebanho,
que é pra não assar.

É sopro de vida,
é sopro que a vida dá.
É sopro que se ganha,
e precisa arrematar.

E por amar a vida,
do mesmo tamanho,
que se chama pra dançar.
O que por enquanto,
é de encanto,
a dança de um sonho,
de um sonho tamanho,
que se dança pra não dançar.

Desorientando meu ocidente

Seu oriente vai muito
 além do médio.
 Seu oriente inteiro
 me orienta os hemisférios.

 Sem seu cheiro rente,
 ao meu lado frio,
 no seu lado quente.
 Sem seu oriente
 sinto um vazio
 ao dente,
 cheio de médio.

 Sem seu oriente,
 meu ocidente
 inteiro é tédio.

Apontar

A cada desapontamento, 
aponte um lápis, 
ao invés de apontar o dedo.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Serenata

Beijado ficou o sereno,
 a lua preguiçosa,
nem quis ver,
quando o céu, o mar e a brisa,
chamaram por você.

Dançou

Foi segurar a dança,
pegou a mão,
nem deu confiança,
e soltou.

Quisera segurar,
e nessa de errar
alguém dançou.

Dançou um passo
no desconhecido,
ninguém viu algo
tão aparecido,
mas dançou.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

sábado, 21 de dezembro de 2013

Canta mais

A cigarra canta o verão, 
mas o verão não se rende não.


Quando a paródia é gostosa

Paródia boa se come com gosto de texto famoso.
Texto de alguém, desconhecido,
fica um prato de gosto duvidoso.

Paródia boa não precisa de entrelinhas,
quando a gente lê, sabe onde fica margem,
quem foi que primeiro fez, e a homenagem.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Veio

E você veio.
A praça, o banco.
a rua cheirava café,
para emprestar minha atenção.
A figueira na calçada fazia figa,
mas eu não.

E você veio.
Não me lembro mais o dia,
de longe a bagunça no recreio,
e a gente não se ouvia,
um mais de mais um,
de gritaria.

E você veio, num friozinho na barriga,
eu dizendo o que queria, você ria.
E você veio,
pelo chão, num pé bonito de se ver,
que não deu mais para eu ver seu coração.
Eu me distraí,
nem percebi,
acordei,
depois dormi.

Você não veio.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

As palavras de volta

O livre arbítrio foi pego enquanto roubava palavras. 
Na cela o silêncio é gritante, 
mas ele volta no indulto de natal.

O desembarque do ano

2013, 
desembarque
 pelo lado esquerdo do trem.

Inacessível

Que o bonito, seja possível ao inacessível. 
Algo bonito demais, 
sem esse quê,
pesa e faz o belo,
inacessível,
ficar insuportável.

Deitar os olhos

Deitar os olhos,
amassarinhar as orelhas
a não ouvir a ciência desdita,
que prefere acordar do que dormir.
E desmentir os olhos,
que o amor não morava ali,
e não se conhecia,
que deitava os olhos em outra roupa.
Ia ele, as pernas, o tronco e a boca.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sem deixar pistas

Não se apaixone por mim,
quando o amor chega,
eu fujo como aquele ladrão,
que some, sem que a polícia perceba.

.

Dobra-dura

Cegonhas de papel,
dobram na mesa, 
antes de voar no céu.

De ver-dade

É muito triste criar afeição
 com gente que não existe.
 Felicidade é criada com gente de verdade.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Hoje me dei conta

Hoje me dei conta,
que nada apaga o quadro
mesmo constando nada consta.

Hoje me dei conta,
quem cola, até passa,
 mas na vida isso não cola.

Hoje me dei conta,
que até o que não se entende,
se apropria, mas a vida,
para tristeza, ou alegria,
ainda é professora.

-Ore e game-

Tsurus de papel,
 dobram na mesa, 
antes de voar no céu.

Baile do astrolábio

Estrelas se beijam no noticiário,
baile de ósculos, para os olhos
fixos do astrolábio.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Correria

Disparadas, as palavras correm.
Desperdiçadas, perdem água e tinta.
Sem rede, ar, papel,
olhos, parede, pés
tela, e suas mãos,
as letras ficam perdidas.



Acertando o acaso

O azar não acredita na sorte. 
O azar é dele. 
A sorte não acredita no azar. 
A sorte é dela.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Sê inteiro

Que a presença seja inteira,
que a despedida é partida.

Vai nessa!

As pessoas querem saber o mais rápido possível,
 tudo sobre a vida das pessoas, que as pessoas têm pressa.
As pessoas acham que assim,
ganham tempo e conhecem pessoas.
Vai nessa!

Revisor de texto


Posso ter pedido sua ajuda,
como pretexto, mas jamais te pediria
que alterasse em mim,
uma linha!

Eu não queria um revisor de texto.


Para pensar quando passar em frente

Do lado do cemitério
um motel.
Quem passa em frente, entende,
que ali também
se morre de amor.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Na rede do amor

Na rede, o amor mora num sítio com a palavra-chave, 
em oração de verso abençonhado.

Na rede é o verbo ajoelhado, 

a flexionar emocionado,
que vocês se amem.




sábado, 7 de dezembro de 2013

Iguaria

Não passa fome quem vive de palavra. 
Tempera a letra, nem esquenta, e come.

Trova-dor

Ouça a cantoria,
elegia de versos,
inversos e
sonhos.


Ouça o silêncio,
as trovas,
os trovões,
a chuva e o vento.


Ouça o silêncio.

A batida, o compasso,
a ausência e o sopro.

Onde estiver, serás livre,
mas corações ocupados
tem donos.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Amor-perfeito

Amor perfeito por encanto existe em flor.
Flor de existir enquanto,
for perfeito o amor.


Foto de Giovana Araújo

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Esconderijo

No desespero, se escondeu na escuridão da igreja, não sabia de rezas, mas carecia de um lugar invisível, menos luminoso que a praça, a sala de aula e a pressa. Chegou correndo, cabeça baixa e sentou no banco. Do lado direito, um vitral exagerava no azul de causar dor nos olhos tristes. Fechou os olhos, apertou as mãozinhas, uma contra a outra. Não sabia o que era ser criança sem aquela mãe que sumia toda tarde, e sem a mão do pai embebido que sacudia os filhos pelos cabelos em gritaria. Entendia esse amor ungido nas dores que uniam os quatro irmãos, untados uns pelos outros, besuntados em desespero, tardes e noites, quando não estavam na escola, e perdiam a tão esperada merenda. Mas naquela manhã, não haveria mais tardes e noites condoídas para Amparo e seus três irmãos pequenos. Na igreja, escondida, pensava que ganharia tempo, encontraria uma saída. A saída chegou vestida de senhora. A mulher encontrou escondida uma penumbra miúda que não sabia rezar, mas sabia abraçar e apertar que nem gente grande aquelas seis mãozinhas. Os alunos viram quando foram levados embora. Surpresos, sem nunca terem entrado num carro, ao contrário das tantas vezes que abaixavam a cabeça envergonhados na sala de aula, os meninos acenavam na certeza que iriam voltar. Amparo, mordendo os lábios, segurava o choro para não assustar os meninos, pois sabia que agora teriam que morar sem os pais que tanto amavam, num abrigo.    

A foto de Giovana Araújo inspirou este conto.

Puxar assunto

Puxar assunto requer delicadeza. 
Assunto que puxa muito arrebenta.

Um bairro chamado Liberdade

Mandela viveu num mundo 

onde cada cidade precisa ter

um bairro chamado Liberdade.

A ave também toca

Nos postes os fios, a cada pio que a ave toca.
A cada pouso, uma ave, vai formando uma pauta.

Foto William Ferro

O nosso vão de cada dia

A cidade precisa de um vão que não cai, 
onde o povo vai, 
assim pensou a Lina.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Vaso aquebrantado

louça gasta, formou cacos
brancos a espalhar na boca.
quebrantaram seus pedaços.
ninguém mais lhe segura pelo braço,
nem lhe arranca a toalha,
nem a sua roupa.



A falta de mar

A falta do mar me salga um bocado,
mas basta olhar o céu,
pra eu ver mar pra todo lado.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Se samba

um samba não se nota se samba

É o jeito

Rejeitar é ajeitar sem jeito
o que não cabe no peito. 
Como nem tudo cabe dentro do peito,
e ninguém sabe fazer isso direito,
o jeito é aceitar.

sábado, 30 de novembro de 2013

Paranapiacaba

Marrom salpicado
de verde, com ar de quem
me leva pra casa.
Da serra que vem a lágrima doce,
da vista que não se acaba.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Madrinha e padrinho

Tocando o pé na estrada,
rebanho, berrante, e pergaminho.
Juntando quem não se juntava,
lá vai madrinha e padrinho.

Sincera-mente

Fui ser tão sincera,
e quem não erra?
Não sabe que a palavra sinceridade,
quando vira advérbio se revela?
É mesmo sendo sincera,
sem cera, a cara desmascarada
a sincera mente?

Até saber

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios,
até saber que os olhos do Marçal de Aquino,

 são de um menino.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Torci-colo

Sem poder virar para os lados,
ou para trás,
o torcicolo torce para que se olhe para frente.

De cara

Gostei de cara de você.
A cara que a palavra emudece,
quando se aperta o mute na TV.
A cara que o olho tristesse, quando aperta o pause,
e vê que não se conhece, quem se vê.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Pense nisso

Há quem sofra de acreditar,
em tudo, que todo mundo pensa.

Arrumando as malas

É hora de partir,
olhar a vida na sacada,
pra descer as mesmas escadas.
A mala é de rodinha, a calçada é de pastilha,
o barulho que faz é percussão.
Vou embora rapidinho, se der tempo dou tchau
pros vizinhos, que o táxi, já me espera no portão.


Repentistas do amor

Na parte que lhe cabe,
e que se combina,
no calor das palavras,
de carinho ou de dor,
até saber que raio é a silibrina,
repentistas do amor,
terminam de repente,
quase sempre,
constitucionalissimamente
em rima.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Se o outro permitir

Para deixar de falar de si,
se faz necessário sermos outro.
Se o outro permitir.
Abrir os lábios.
Se o outro permitir.
Oferecer os ouvidos, com risco de ganhar cócegas.
Se o outro permitir.
Dar uns passos e dançar.
Se o outro permitir.
Deixar-se levar.
Sorrir.

Fazendo arte

Inspirar-se é trabalho
caudaloso
que arde as ventas.

o que não se cria,
se copia,
não venta.

domingo, 24 de novembro de 2013

Abracei um ramalhete de rosas

Abracei um ramalhete de rosas,
ainda sob o efeito do encanto,
senti que não tiraram os espinhos.
E um espetáculo se fez em minha pele,
vertendo pétalas,
tatuagens e vinhos.
No banho
a mão seguindo o pescoço
percebi um caminho.
Em alto relevo,
 duas marquinhas e o espanto.

Foi um vampiro.

Trupicão

Levar palavras ao pé da letra, pode causar tropeços.

sábado, 23 de novembro de 2013

Como pode ter nascido um coração

O coração lembrava vagamente um coração, então um desenhista distraído, de olhos voadores viu a folha de uma planta. Puxando o ar pela boca, num palpitar de um palpite, retira a folha de papel do bolso esquerdo da camisa, e lendo os dizeres da amada, que do seu amor sabia e resistia, num rascunho imperfeito, com aperto no peito e no verso, tensiona um graveto contra o papel, fazendo nascer um coração novo em folha, olhando uma folha perdida no céu.

Os sonhos são seus

Os sonhos são seus,
ninguém entra sem querer,
mesmo sendo convidado.
São tão seus, que dormem dentro dos seus olhos,
pra ninguém ser incomodado.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ribamar

Aceita um peixe na telha,
arroz de cuxá,
tem também batata-doce,
e banana-da-terra?
Ribamar, vê se acorda,
não se deite nessa rede,
que o jantar e a louça
de depois, te espera!

Minúscula e maiúscula

Pequena, a palavra foi malcriada,
 crescida, ficou grande,
 e formou um palavrão.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Questão de química

Um amor sólido mudou de estado,
líquido sem gás,
evaporou no ar,
morreu sem gozo.

Já é

Já é tarde,
 quase noite,
foi um dia.
Já é tarde,
 quase noite,
até um dia.

Mais que amar

Mais que amar é se amar.

Mais que amar é companhia.
Mais que amar é se amar.
Mais que amar eu não sabia.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Eu nado nada

Se for para o mar eu nado,
se for para amar,
eu nado nada.

Do mesmo tamanho

A gente desenha uma paisagem quando criança,
e chega o dia que a paisagem te alcança.

(Sol e gaivota se despedindo, em Joaquina, Florianópolis, Santa Catarina)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Pra ouvir

Leva as mãos em concha,
num faz de encanto, 
para ouvir um mundo sem mar, 
quem a vida faz poeta.

Menina Joaquina

Joaquim teve a menina Joaquina, 
que sumiu na areia, 
pro mar devolver, 
menina sereia, 
surfista.

Até deixar de doer

A dor tem memória de elefante,
 até o dia de virar passarinho.

Fechou o tempo

Fechou o tempo,
e o céu fez manha pra eu fazer minha mala.
Precisava muito conversar com o céu, então peguei o avião.
Deixamos as nuvens passarem, e com o sol fazendo sala,
o céu se abriu comigo.

domingo, 17 de novembro de 2013

sábado, 16 de novembro de 2013

Salva-chuvas

Fez sombra da nuvem no mar,
 mar e nuvem mudou de cor, 
como o sol não pode nadar,
fez chuva como prova de amor.

Maravilhada

Carreguei palavras na sacola, 
na saia, nas sandálias. 
Perdi todas elas quando cheguei na praia.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O pé adora andar livre e descalço, mas na hora da topada sente falta do aperto do sapato.

domingo, 10 de novembro de 2013

A chave

Ouvi muitos nãos, 
mais do que sim.
Vi portas se abrirem, 
se fecharem, sem qualquer
explicação, mas nunca desisti.

sábado, 9 de novembro de 2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

terça-feira, 5 de novembro de 2013

domingo, 3 de novembro de 2013

Acerte o erro

Certos acertos acertam erros errados que erram.

Passagem

O pássaro respeita, e na presença de tudo, as asas vão antes, abrindo passagem.
O pássaro perde o respeito, não oferecendo passagem, apenas
quando não pode bater suas asas.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Conversa em conservas

A conversa de ontem,
foi conservada em conservas,
e reserva versos diversos.
A conversa de ontem,
tem mais de dez planos,
a conversa de ontem
 já fez vinte anos.

Como um Saci

Redemoniar, saltar, 
carimbando um pé, alguém foi peneirar.
No gorro, um alerta vermelho.
Na negritude, um desenho.
Na mata um invento,
de encantar o medo,
entoava assim:
- Quem não se leva tão a sério,
é dono de si, e sabe brincar
sem nenhum mistério,
tal como um saci!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O chamado

Foi furar a fila, o esperto, para ganhar um tempo, e descobriu que o próximo, era ele mesmo.

Certi-fica-ção

Segunda via do RG. 
Uma foto recente, 
mais a antiga assinatura, 
e um documento para provar, 
que você é você.

domingo, 27 de outubro de 2013

Citronela

Quem repele não se toca
de algo esquisito.
Quem repele,
não se toca,
que a vida é um mosquito.

Cama-feu

Não te desejas?
Tudo bem.
Tu haverá de ser,
uma preciosidade para alguém.

sábado, 26 de outubro de 2013

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Sem paga

Alguns sonhos são pessoais, intransferíveis e não aceitam depósitos de nenhuma espécie.

Bumerangue

O mundo dá muitas voltas pra quem sabe voltar.
O mundo dá muitas voltas pra quem sabe voltar.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

sábado, 19 de outubro de 2013

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Perdi bem bonito

Eu te perdi, bonito,
no celular,
guarda-chuva,
chaves,
batom,
e bilhete de loteria.
Eu te ganhei bonito,
no meio de coisas que as pessoas perdem todo dia,
cujo valor me
dizem que eu existo.


Aparta-mentos

É artificial,
 o pisca-pisca do Natal. 
Natural é ter, o desligar e ascender,
 dos apês,
 de cada prédio.

Ciência oculta

O amor se esconde nos livros mais vendidos.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Cadê ela?

A Lilica ficou no caminho,
entre a carona,
os meninos, 
e a mãe,
a horta,
o coração,
o bolo de amendoim, 
a casa que tem porão, 
e o livro do Morin que se encontrou comigo.

Intocável

Esbarrar, 
se for sem querer, 
é um toque sem querer se tocar.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Dormem

Dorme bem quem acorda.

Passou uma estrada na minha casa

Passou uma estrada na minha casa.
Quem conseguiu fugir, saiu em revoada.
Passou uma estrada na minha casa.
Meu amor sumiu, em algum ponto do Brasil,
mas pode estar vivo, são e salvo, numa quebrada.
Passou uma estrada na minha casa.
Quem ficou nos dois lados do trajeto,
agora disputa pelo espaço direto!
Passou uma estrada na minha casa.
Não tem nenhum processo,
um riacho sumiu,
e ainda não foi devolvido nada.
Passou uma estrada na minha casa.
Vários tentam viver na cidade,
onde a gente só passeava.
Passou uma estrada na minha casa.
Não sei se vamos sobreviver,
estão nos dando tanto o que comer,
e alguns de nós, não voltarão por causa do banquete.
Passou uma estrada na minha casa.
E quando o trator chegou,
a vizinhança encasquetou que ficaria.
Ave Maria!
Passou uma estrada na minha casa.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Brincadeira é coisa séria

Criança que tem brinquedo demais,
 é culpa dos pais. 
Criança sem brincadeira, 
é uma das maiores culpas de um País.

Incandes-cente

O amor tem um tempo de ser certeiro,
e o que não foi sentido,
foi braseiro.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Networking

Acabaram o romance por falta de contato,
que o destino dos dois,
estava em baixa no mercado.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

domingo, 29 de setembro de 2013

Seu Domingos

No domingo, Seu Domingos, primeiro pensa na segunda,
que na terça tem o terço, que na quarta tem o quarto,
que na quinta tem os quintos, que na sexta tem um cesto.
Seu Domingos tem o sábado de resguardo,
enquanto aguarda seus domingos.

Engaio-lar

Deixou de ver lá fora,
a passarada.
Quem mandou ouvir sabiá,
dentro de casa?

Maira Garcia

imagem de Felipe Pimenta /Turdus rufiventris - sabiá-laranjeira




quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Desalinho

As linhas da minha mão
dizem que não
mas desfiam,
desafiam o meio fio.
As linhas da minha mão
mudam todo dia,
procuram outras linhas
para fazer tapeçaria.

Maestros de libras

Nos gestos, rapsódias,
 feições, pontuando palavras,
 eles falam mais, sem canções.
 Quem é esperto no olhar,
 mesmo sem ler,
 ouve na coxia,
 no ventilar dos sinais,
 no tilintar do coração
 a dança nos dedos dos surdos.
 Sabem pelo olhar, se é de paz,
 ou de não,
 que ali vai, sem mais,
 carregando apenas com as mãos
 uma sinfonia.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Hoje eu vou parar de parar.

Hoje eu vou parar de tomar café.
Hoje eu vou parar de tomar leite.
Hoje eu vou parar de comer pão de sal.
Hoje eu vou parar de comer frituras.
Hoje eu vou parar de comer chocolate.
Hoje eu vou parar de comer produtos industrializados.
Hoje eu vou parar de parar, pois não sei onde isso vai parar.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

sábado, 21 de setembro de 2013

Em cartaz

Dormir, o ensaio do repouso do fim,
a esperar a grande estreia
de acordar para viver, e
recordar  para dormir.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Sem toner

para cada piscadela,
um dilema,
um verso além mar,
um poema,
sem rumo,
sem toner,
sem dono.

Vermelhidão

Vergonha, que nem todo mundo sente,
é uma pena se não sente.
Vergonha, na boa medida,
 muda a direção e a vida
de muita gente.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

domingo, 15 de setembro de 2013

Par-tido

O coração quase breca,
mas não para, toda vez que um amor acaba. 
Quase quebra, mas não para.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O espelhinho

O retrovisor é show.
Você segue em frente,
e o retrovisor mostra,
em algumas partes,
o que já foi,
o que já passou.


A primeira leitura da boneca Emília

Para que pudesse entendê-las, ficaram apertadas na cabeça.
Apertadas, pediam para tomarem ar.
Compreendidas, saíram pelos olhos, todas as letras.
Por culpa do rímel que usava, a impressão das palavras que pingavam, ficaram borradas.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

domingo, 8 de setembro de 2013

Continua sorrindo

A Lua,
perdeu o brinco
do lado esquerdo,
e continua sorrindo.

Sírias

Sérias, todas as histórias, de todas as Sírias,
cujas misérias da guerra asfixiam.
Sérias, todas as histórias, de todas as Sírias,
 que não precisam da bomba, 
que a promessa de paz lhe atira.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

domingo, 1 de setembro de 2013

atchim!

O mundo é aparentemente rude,
até alguém ouvir alguém espirrar, 
e outra pessoa dizer:
- Saúde!