quarta-feira, 31 de julho de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

De-sencontros

Aprendi a respeitar desencontros,
depois de uns tantos.
Sei que desencontros,
em todos os cantos,
são encontros de encantos,
que ainda não estão prontos.

Na média

Na média de tudo um muito,
na média de nada um pouco. 
E a média continua indo bem, 
com pão e manteiga.

Leva

É na dúvida, que o primeiro amor leva embora todas as certezas.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

E as nuvens fugiram

Hoje, as nuvens fugiram de vento. 
O Sol ficou sozinho. 
O céu deu cobertura, 
e os óculos escuros tomaram conta da Terra.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Intimi-dade

Pé ante pé,
conhece-se a mão,
mas não conhece o pé.
Ensaia o coração até saber,
se vai pedir a mão, ou vai pedir o pé.

domingo, 21 de julho de 2013

João e Cinira, e depois Maria José

João e Cinira, namoraram tanto,
 até virar a tampa e a panela um do outro.
Dava gosto ver tanto grude!
Era isso que a vizinhança falava amiúde.

Mas o casório durou pouco.
Em um dia, Cinira definhou,
do rosa para o branco,
e João ficou viúvo de uma vez.

O povo falava que João não aguentaria,
viver sem sua metade,
sua companheira, sua santinha!

E João que não era de beber,
começou a ir pro bar.

A melancolia marvada,
fazia dele risos e choradeira.
O coitado acreditava, na cura pela bebedeira.

Os amigos tentaram ajudar,
grupo de oração, médico, tudo em vão!

Eis que numa noitada, no bar,
olhando pelo copo, viu Maria José,
pela porta atravessar.

E ela tirou o copo dele das mãos, sorrindo.

E foi Maria José quem tirou
o corpo do João, do chão.
A Maria José, que nunca teve um João.
O João que andava dormindo.

E não demorou para correr a notícia,
e o povo cheio de malícia,
vendo Maria José chegar pelos braços,
na casa de João.

Agora a mulher da vida, era mulher da vida de João.

Dois anos depois, ganharam uma menina,
que batizaram de Cinira.
Dizem que João, nunca esqueceu sua santinha,
mas quem devolveu sua fé, com sua força de mulher,
foi ela, a sua segunda esposa, Maria José.





sábado, 20 de julho de 2013

Bolha de sabão

Respingada, ia avoada,
sem nenhuma precisão.
Ia embolada, caramelizada,
pulsando de susto.
Espectro, mas ia feliz,
sem saber,
voar sem ser um ser.
Se via, e lá se ia,
e não se vê mais, como se foi,
a bolha de sabão.

Desembrulhado

O abraço
é o agasalho mais caro.

Flor-de-cismou

Flor-de-cismou, 
a flor que se colhe e
recolhe, depois que murchou.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Se juntaram

Os olhares se cruzaram,
se casaram, antes de se casar.
Se juntaram.

Mesmo assim

Não deu certo,
não deu errado,
o certo é tentar.

O mistério do pé e o saco

Uma pomba na calçada, perto do farol,
no sentido de algum bairro, parava de 
comer algo não identificado dentro de um saco,
cada vez que um pé passava na sua frente.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

terça-feira, 16 de julho de 2013

Tapeçaria

Quando o amor passa,
passa por você,
transpassa o amor.
O amor faz tapeçaria,
quando vai embora,
faz magia,
vira um tapete voador.

E faz fumaça

Olhos pequenos achando graça,
 do frio e calor saindo fumaça, 
e ninguém botou fogo em nada!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Em-patia

Empatia, sentir sem estar.
É pelo desperto, 
a alegria,
a dor e a paz, e o aperto.
Fora da pele, bem aqui perto.
Sem cercas, 
o outro nos espelha,
descobertos.

sábado, 13 de julho de 2013

Foi fogo

A paixão sentiu, coração pegou fogo.
E de água pra apagar.
Sem água pra chegar, acabou logo.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Não some

Não some, não quero esquecer seu nome.
E é muito cedo para perder,
aquele friozinho gostoso,
que eu sinto no abdômen.

Direção

Foi numa quinta, que enxergou que sua vida podia ser de primeira.
Esqueceu a ré, lembrou alguma coisa parecida com fé, e deu partida.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Os pés pelas mãos

Errou todas as mãos, mas conseguiu pisar com os pés.
Acertou no tom do terno, mas carregou no perfume.
Falou mais na hora que pediam silêncio.
Insistiu demais, depois precisou de lenço.
Errou, mas tentaria algo novo.
E os pés se entenderam com as mãos,
no final daquele jogo.

Arvorear

Tronco sem raízes, braços sem galhos e folhagens, 
mas se enfrentarmos a vida como as árvores, 
seremos felizes de coragem.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Passaram o rodo

O Rodoanel levou árvores, plantas
 aves, bichos, casas, ruas, avenidas
e o trem aqui parado, vendo tudo isso.

Descobertos

Aprendi em junho, que cidadania se aprende com empatia. Se eu não entendo e sinto, ou tento sentir o que o outro sente, eu não vou entendê-lo, não vou respeitá-lo, não vou ser alguém que me importo com o próximo e o coletivo. A vida do outro, que está ao lado, pode ficar do nosso lado. Ouvi tantos desabafos, de madames que não entenderam os 20 centavos, a madames que entendem e sabem o que passam seu empregados, de empregados que entendem e patrões que não, de empregados que não entendem, de pessoas que diziam, "quem mandou eles subirem para a Avenida Paulista?". Vi profissionais liberais e estudantes e tantos mais, fazendo mais que um número teatral, se arriscando para falar em nome do outro, dos manos e das minas, que nem todos sabem da dificuldade e da distância que é poder estar ali, naqueles horários das manifestações. Eu não fiquei com raiva de alguns comentários, senti pena de ouvir a falta que é não estar na pele do outro e daqueles que há anos estão no poder, e pelo poder esqueceram, ou nunca pegaram fila e trem lotado, não sabem quanto custa um pãozinho e uma cesta básica no final das contas, e nem quem somos nós, que precisamos urgente e há muitos anos, de um poder público eficiente, que saiba dialogar na prática com a população, sem fingir que está tudo bem. Agora todos nós, que passamos pelos centros das cidades, acessos privilegiados, onde normalmente vão os carros, os ônibus e nossos vinte mil centavos, sentimos na pele a tensão que é na periferia a questão da segurança pra essas regiões, o tratamento que tivemos e o despreparo, a violência e a solidariedade, todos andando juntos para se proteger. Isto é empatia, sentir também a dor e o aperto que é a vida do outro, bem aqui perto, sem cerca. Fomos descobertos.

terça-feira, 2 de julho de 2013