terça-feira, 10 de outubro de 2017

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Continuamos como está,
você na terra,
eu no mar.
Dá um fora quem não
está por dentro,
quem está distraído
ou sem bom senso.
A porta que fecha pra procurar a porta que se abre com vista para o horizonte.
Estou feliz,
quadra de futebol de areia perto do mar,
Sol se pondo
atrás de mim.
A presença é um presente sem embrulho.
Pra cada porta que se fecha, um buraco de fechadura.
Eu quero ser dona do meu tempo. Comprei um relógio, mas ainda não dei conta. Fiz uma agenda. Uso cronômetro. Conto os passos. Respiro com profundidade. Corro. 
Mas o tempo não é de ninguém, quer um relacionamento aberto
com a vida. E quem quiser que fique na fila!
Você dorme no
quarto que nunca entrou,
você dorme comigo.
Quando o pensamento
se cansa e parte para o sonho que eu não domino,
você não fica comigo
e sai do quarto
que nunca entrou,
e não dorme comigo.
Lavar a roupa,
ver a sujeira que
Se dispersa.
Ver o tanto de 
água
que a vida
leva.
Empatado
O tempo que não chega,
é um tempo atrasado
pra gente, 
mas não pro tempo,
que acha que o tempo
de chegar
é quando tem que ser,
e parece adiantado
para o tempo,
e não adianta reclamar,
que atrasado
e adiantado o tempo,
ao mesmo tempo
acaba sendo algo pontual,
então o tempo que não chega é uma ilusão do tempo que chega na hora certa do tempo.
Café de noite,
vindo da casa do vizinho, tem cheiro de conversa comprida.
Dá vontade de tocar a campainha e fazer uma visita.
Ignoro,
passo, 
finjo que não vejo,
mas um sinal seu
e você volta a ser
o centro do mundo.
Placa THF 2242.
E foi pegar o táxi, do lado da catedral da Sé, não dava pra ir a pé, chegar estava pela hora da sorte, o trajeto levaria vinte minutos, precisava chegar em cinco, falou o destino, combinou mais o menos quanto ficaria o preço, perto de dez reais e foi. No táxi:
-Deixa eu ver como estou de troco. Tem pra cinquenta?
-Senhora?
-Tem pra cinquenta?
-Preciso ver, acho que tenho.
-Como é lindo o Centro! Deixa eu ver aqui. Tenho dez.
-O que a senhora disse?
-Que isso aqui é lindo. Nunca me canso. Vocês ficam tanto aqui, que nem percebem.
-O que a senhora disse? Ela falou mais alto:
-Que o Centro é lindo! Ando sempre por aqui, mas de carro quase nunca.
O motorista estava de fone, teria que falar mais alto ainda.
-Chegamos perto, pode me deixar aqui?
-Eu vou virar, te deixo em frente.
-Ficou dez mesmo? Mesmo? O senhor fica sempre lá?
-Lá é um ponto de táxi. Sim!
-Ok, preciso saber, passo sempre por ali, o senhor foi muito ágil, muito obrigada!
Seguiu correndo para o destino em cinco minutos, pegou o finalzinho da palestra. No término, depois das nove, aproveitou o fluxo e entrou no metrô no Anhangabaú.
E começou a atinar:
-Eita, eu não paguei a corrida. Não me lembro de ter entregue a nota e tem uma amassadinha aqui. Vou voltar lá!
Desceu na Sé, perto das dez, muita gente circulando, atravessou a rua, ele estava quase saindo.
-Oi! Ele estava sem o fone.
-Lembra de mim, perto das oito?
-Lembro, sim!
-Eu te paguei a corrida?
Esticou um sorriso, apertou forte a mão.
-Não acredito! Tem certeza?
-Tenho! A senhora pagou!
-Vou olhar a chapa do seu carro! Vou jogar, hein? 2242! Sorriso descrente, sem graça, não conseguindo encarar, mas depois ficou olhando ela indo embora, encostado no carro, e ao atravessar a rua, ainda acenou bem feliz na praça que se esvaziava.
-E aí? Um colega do ponto perguntou.
-Ela pagou mesmo?
-Não sei, nem ela sabe. Quantas vezes isso acontece aqui?
-Nunca!
-Então, tem dez reais que podem valer um milhão!
-Também vou jogar na chapa!
Ele ganhou na loteria, sumiu do ponto, ela que esqueceu de fazer o jogo procurou pelo taxista sem sucesso. Queria vê-lo de novo. Ela tinha pago direitinho a corrida naquele dia.
A felicidade não tem nada e é tudo que se quer.
Hoje o dia foi lindo,
não porque tinha Sol, 
Eu vi você sorrindo.
Ele disse:
Eu amo ela,
amuada,
num sabe nada.
Que sou seu anjo,
beijú de beijo.
Num creio na tristeza
que ela carrega.
Eu amo ela
Eu amo ela.
Manuela.
Eu ouvi o amo ela,
o resto a cabeça
se encarrega.
Se é o certo
o que o homem disse dela.
É o amor por Manuela.
Não posso corrigir um amor
que diz assim:
Eu amo ela.
Queria ouvir o
amor falar pra mim!
Se algo difícil de engolir invadir sua boca, tome água e dissolva.
É difícil escrever algo,
depois que já escreveram tudo.
Meu coração foi embora,
fiquei sem palavras pra falar a respeito.
Foi na frente do meu corpo,
não sei explicar direito.
Só volto a falar de amor
quando eu tiver o coração no peito.
Vai ser difícil eu abrir mão de um livro pra usar plataforma digital. Adoro cheiro de livro, do novo ao velho, sem cheiro de mofo, é claro, daqueles que lembram levemente café, papel queimado de Sol. O cheiro mais incrível de livro foi um novo, da Editora 34, Alice, o livro com a tinta de impressão e o papel tinha cheiro de chuva.
Só volto a falar de amor
quando eu tiver o coração no peito.
Quem mora na rua,
tem a Lua.
Uma vez estava num embate de opinião com uma pessoa e ficou tenso, pois era um assunto angustiante, num dado momento, meu amigo respondeu, com muita segurança: "Certo, agora sei que você pensa assim, mas eu penso diferente." Acabou a discussão.
Muita gente, raras pessoas não sentem um bode quando enviam uma mensagem que consideram importante e não obtém resposta. Muito porque a gente se considera importante e esquece que por n motivos as pessoas ficam sem ler ou responder algo, o principal deles é o tempo. Nesta semana enviei uma mensagem inbox para um escritor que faz um monte de coisas admiráveis, sou muito fã dele em tudo que faz e tive um ótima impressão numa palestra que fui no Sesc, onde explicou numa pergunta minha, que pra escrever ele ia no fundo da casa e colocava música concreta pra se concentrar. Eu estava pesquisando sobre música concreta e precisava de referências e não estava indo bem nas buscas, aí lembrei da palestra e perguntei pra ele que me respondeu um tempo depois: tente Philip Glass. A você, que como eu já ficou chateada com a resposta que não veio, experimente Philip Glass.
Quem não me deixou sem resposta chama-se Lourenço Mutarelli.
Por mais piegas que possa parecer.
Amor.
Sol quando vai, vai tarde.
Feriado tem a cara 
amassada no travesseiro
de quem dormiu até tarde.
A Lua foi jantar e ficou cheia.
Eu perdi uma amiga para o suicídio, isto foi muito forte e determinante pra prestar atenção nos sinais. No suicídio aparentemente tem-se o livre arbítrio, mas há casos de loucura e inconsciência. Este texto fiz com aval de umx terapeuta e umx psiquiatra.
Setembro amarelo é o mês de Prevenção ao Suicídio, um mês de campanha para que pratiquemos a atenção durante o ano inteiro. Final do ano e começo de ano, é a época mais crítica de ocorrências. O que podemos fazer? Prestar atenção nas pessoas, às vezes elas avisam que vão cometer. Mudanças de comportamento repentina, necessidade de despedidas, desprendimentos inesperados de coisas que representam afeto ou de ordem material. Um bom ouvido, um jeito carinhoso de conversar e depois recomendar médico psiquiatra. É bom frisar que a desordem psiquiátrica de depressão não é a única que pode levar ao suicídio, tem dependência química, vícios, psicoses, bipolaridade, esquizofrenia etc, e quem avalia isto é o médico, não um amigo.
um poema pra você
nunca mais esquecer
de mim
nunca mais um poema pra você esquecer 
de mim
pra você
nunca mais esquecer
de mim um poema
Me esqueça.
Setembro amarelo é o mês de Prevenção ao Suicídio, um mês de campanha para que pratiquemos a atenção durante o ano inteiro. Final do ano e começo de ano, é a época mais crítica de ocorrências. O que podemos fazer? Prestar atenção nas pessoas, às vezes elas avisam que vão cometer. Mudanças de comportamento repentina, necessidade de despedidas, desprendimentos inesperados de coisas que representam afeto ou de ordem material. Um bom ouvido, um jeito carinhoso de conversar e depois recomendar médico psiquiatra. É bom frisar que a desordem psiquiátrica de depressão não é a única que pode levar ao suicídio, tem dependência química, vícios, psicoses, bipolaridade, esquizofrenia etc, e quem avalia isto é o médico, não um amigo.
Você aprende a gostar de gente, aí chatice vira graça.
A Lua, bola branca e fria pede sua atenção de noite.
O Sol, bola enorme e amarela te distrai com a Terra.
De olhos fechados, é só você, 
não tem bola mais importante no mundo.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Você não precisa
de beleza,

por gentileza,
tenha a voz que meu
 ouvido almeja.
A conversa surpresa.
Que venha a se vestir de nuvem,
que me faça esquecer
da sua roupa.
Que tenha o hálito da humanidade,
que o mundo caiba
 em sua boca.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

domingo, 3 de setembro de 2017

Um pássaro entrou
no meu quarto.
Era um sabiá.
Um sabiá pequeno,
 de peito afobado,
com medo de morrer.

Segurou-se no armário,
esperou que eu fosse embora.
Entrou dentro de um vestido,
não sei se era menina
ou
menino.
Logo desapareceu.
É quando deixo
um dedo de cabelo branco, que tenho
certeza do tempo.

Nem quando vejo
um vinco no rosto
me faz ver o que sinto.

Um dedo e vejo o tempo.
Os fios ainda misturados,
vai-se o tempo que escondo
na cabeça. A aparência.

Um dedo e me acostumo,
aceito, acolho e me rendo,
mas passa um curto prazo de tempo, escondo.

Deixo para pensar quando
faltar um dedo e cubro tudo de novo.

Uma hora eu assumo
a cor do tempo,
feita de prata,
e deixarei de esconder
 o ouro.
É só uma questão
de tempo.
Quero gostar de alguém,
mas não tenho pressa,
pressa é o tempo
que tem.
Foi assim que aconteceu.

No caminho tinha a Sé, na calçada da Catedral, alguns moradores de rua, uma mulher com dois cachorros dando ração, e um homem agachado, que ao passar por ele podia ver que copiava um poema de uma revista. "Você gosta de poesia?" Ela perguntou: "Gosto! Essa é do Manoel Bandeira". Estava copiando para guardar num envelope. O homem levantou e falou: "Vou ler pra você!" Manuel Bandeira.
O bicho

Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem

Leram juntos, ele estava um pouco alcoolizado. Se apresentaram. " Eu me chamo Maria, e você?" "Samuel! Prazer! Esta revista estou copiando porque vou vender ali no sebo do Messias." A revista estava rabiscada, não conseguiria vender, e ela disse: "Eu queria comprar, mas saí sem dinheiro." "Não quero que você compre, quero que você veja isto. O nome da revista é Panorama da Pobreza de São Paulo. Veja estas fotos. Quem sabe um dia você pode ajudar a melhorar essa situação? Eu já fui músico, fiz Belas Artes, tive problemas psíquicos, perdi esposa e filho. Já fui preso sete anos por roubo, aqui bem na frente, eu e um companheiro que já se foi, espero que ele esteja bem, nem eu nem você sabemos como é, como vai ser do lado de lá." " "Hoje como você vai fazer pra comer? Tem bom prato?" "Só de segunda a sexta, fica tranquila que mais tarde tem gente que traz comida pra gente." "Posso te dar um abraço?"Ela perguntou: " Pode!Obrigada, senti que foi de coração!" Ela não não se importando com o redor, sentindo-se segura como poucas vezes. Não acreditando na coragem de abraçar um estranho, disse: "Vai dar tudo certo! Acredite!" Foi embora segurando o choro, gostaria muito que a vida lhe desse um novo rumo, mas algo dizia que apesar da rua e da pinga, Samuel era feliz. Conseguia copiar poesia na calçada e com muita coragem olhar-se diante dela.
Andar é um ato de desabafo. Os passos avançam e as palavras ficam para trás.
Vi uma pomba manca
dançando no chão. Ia se equilibrando num pé só. Rodopiava. Se arrastava como quem pedia licença, mas parecia muito segura. Não tinha medo. Não arredava. Chegava perto, e nem precisava comida. Ficava olhando tranquila. De repente, cansou de peripécias e deu um salto. Voou como voam as pombas que não mancam.
Sempre algo lhe pede que ande sem rodinhas. A vida é uma bicicleta.

sábado, 2 de setembro de 2017

É de sentir dó
gostar de quem
não nos quer.

É de dar nó.
É de dar no pé.
Fácil não é.

Duro mesmo quando
chega o dia de encontrar
o outro,
com outro alguém.
Aí é melhor deixar pra lá,
porque dá dó,
gostar de quem
 não nos quer.
É que nem jiló.
É pra dar no pé.
Uma pomba manca pode voar.
Um coração vazio
faz silêncio
perto de gente,
a voz calada suspira,
o peito passeia
 confortável
na camisa.

Oco, o coração fica espaçoso,
até que não gostar de alguém é gostoso,
porque não sente
 mais a dor de sentir.
Nossa história
sobe num balão de gás.
Que sobe até se enxergar um pontinho no céu e desaparece.
.
A maior parte de leitores de poesia são poetas. Poesia não vende muito. Logo somos leitores poetas.
Gosto muito de gente,
gente tem a boca doce e a palavra salgada.

Se não escovar
os dentes direito
dá cárie,
e aí como dar a palavra?

Mas eu gosto de gente,
até doer os dentes.

E na minha vida como foi preciso enfrentar as gentes do caminho!
Fiquei banguela
 e segui feliz sorrindo.
Os lábios selam segredos,
mas os beijos são
fofoqueiros.
Os padres Marcelo e Fábio de Melo se tornaram mais interessantes após abraçarem publicamente suas doenças psiquiátricas deixando claro que fé só não basta, é preciso medicamento. Conhecidos como são, prestaram um serviço de esclarecimento que diminui o preconceito e a resistência da população que os segue.
Tenho as manhãs para abrir
negócios no horizonte,
as tardes para resolver
problemas do mundo inteiro,
as noites para fechamento
de balanços na rede do tempo.

Na realidade o que tenho mesmo são os sonhos.
Ontem, ouvi de uma mulher chamada Sônia, no ponto de ônibus: "Não importa de que forma venha, sempre lemos em primeira pessoa!"
Vi uma pomba manca
dançando no chão. Ia se equilibrando num pé só. Rodopiava. Se arrastava como quem pedia licença, mas parecia muito segura. Não tinha medo. Não arredava. Chegava perto, e nem precisava comida. Ficava olhando tranquila. De repente, cansou de peripécias e deu um salto. Voou como voam as pombas que não mancam.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Danço sozinha,
até o dia que os pés
encontrarem
um par
de sapatos
que dancem
sozinhos.
Enquanto isso,
tropeço
nos meus
próprios dedos,
rodopio na sala,
e finjo sanidade.
Danço sozinha
na pista,
danço sozinha
para acreditar
que para todo sempre
não existe solidão.
Escrevo porque preciso por pra fora este dentro que carrego comigo.
Escrevo porque não tem outro jeito.
Escrevo porque desejo um retorno, mas não busco o eco, não quero falar sozinha.
Escrevo para chamar atenção num meio onde todo mundo grita, e as pessoas andam roucas. 
Mesmo assim escrevo.
O meio do dia 
não tem nem 
a metade 
que queria,
mas tem um 
começo.
Tenho reparado ultimamente que estamos vivendo um tempo de pouco diálogo, onde as pessoas tem precisado falar mais do que ouvir. A nós cabe uma boa dose de paciência quando isso acontece, o que não deixa de ser uma caridade. Muitas vezes uma das partes só quer falar, a outra cabe ouvir até que o falante se canse. Aí, você, como bom ouvidor, fez a sua parte. Num outro dia, você que também faz parte deste fluxo louco que tem se tornado nossas vidas, pode ser o falante da vez, precisando de um ouvido caridoso. Pense nisso.
Sonha com algo.
E na hora 
que surge
não é o que 
se esperava.
Então olha
como se fosse
a primeira vez,
e cala.
Mesmo que nada
aconteça,
que você apareça
com sua felicidade,
que deixa a minha 
com saudade.
Apareça pra um café,
uma volta no parque,
um cinema
sem qualquer intenção,
aquele abraço covarde.
Mas apareça,
porque beijo
não te peço,
só quero sua presença,
e que não esqueça
deste verso.

sábado, 26 de agosto de 2017

O olho
quando gosta
Encara, foge,
finge
se fecha.
Depois guarda o olho
no peito consigo,
e fica lembrando do olho
olhado, e tanto fica
que envesga.
Encontrei um livro
de páginas duras,
é certo que depois
de um
banho foi deixado ao Sol. 
As páginas estão unidas,
as letras apertadas,
é preciso que venha
a mão e abra.
Um livro afogado de água
melhora quando os olhos
se deitam com ele,
as palavras umedecem
e o livro que morria,
enfim respira e agradece.
Ontem, no sarau, tinha uma menina de 10 anos, chamada Joana, sentada numa cadeira olhando pra rua. Do nada ela disse: "Hoje estou muito feliz!" 
E perguntei: "Qual o motivo?" Ela disse:"Estou feliz porque minha vida é perfeita!"
O passado passa bem pois o futuro já passou 
e o presente não está 
nem aí.
Poesia dizem
ser coisa
sofisticada,
mas na boca
de gente humilde
encontra sua casa.
Tem horas
que tudo que 
a gente precisa 
é um sinal.
Sinal na perna,
sinal de luz,
sinal de trânsito,
sinal na boca,
sinal dos tempos.
Sina.
Enquanto ele vende a Amazônia, a Telebrás, e a Casa da Moeda, você se distrai com boato de zapzap.
Depois que você torce muito o pé aprende que precisa olhar sempre pro chão. Não dá pra adivinhar onde pisa.
Entardece
pra gente comprar 
o horizonte
com os olhos.
Lembrei da gente no trem.
O seu ponto já tinha passado
quatro estações.
Descemos.
Teve abraço.
Teve olho no olho,
mas não teve beijo.
Era tarde, e você quis seguir até o ponto final, ao invés de voltar pra sua casa.
Disse que ia pensar na vida.
Eu segui sem entender nada, até o meu destino.
Você seguiu o seu.
Parece que foi assim.
Queria saber a sua versão de mim.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Os que gostam de alguém
adoram coincidências,
mas coincidências são apenas
coincidências.
Um vírus, e você se desculpa sem ter culpa
de ter pego.
Vírus é cheio de castigo e desprezo,
dá a sensação de ter feito
algo proibido que mereça
penalidade,
mas não é de verdade.
Vírus faz mal pra paranóia,
pega em quem não olha
o que não se vê.
Se receber um vídeo, ou link por inbox não clique, ok?
Achava que cultura começava na biblioteca
pois a Secretaria de Cultura da minha cidade ficava no mesmo prédio da biblioteca. 
Minha carteirinha
de biblioteca
era feita de papel,
e trazia minha foto
três por quatro.
Eu não alcançava
a estante, e tinha
um balcão que
nos separava.
Com a carteirinha na mão
me sentia importante.
Podia pedir livro
que eu quisesse
e não pagar nada,
e ainda por cima,
levar pra casa.
Não via a hora de terminar,
passava na biblioteca
com o livro na mão
e de olho na estante.
Um dia, perdi pela segunda vez a carteirinha,
e a atendente muito brava
não deixou eu fazer outra.
Eu chorei, mas não adiantou.
Fiquei sócia da biblioteca da escola, mas o livros são antigos e puídos. Sinto dó dos livros.
A história é sem graça, não merecia estar num livro, daí eu achei legal postar no face.
Maira, 9 anos
A poesia precisa de surpresa
O amor 
que tudo oferece,
é pra quem
pode dar.
É do querer voltar
a gostar.
Então digamos
o que não é mais.
E a história é encerrada.
Se um dia o coração
esquecer
a falta de apreço,
digamos que
temos recomeço.
Se todo instante fosse este, você seria o instante.
A cintura marcava,
o peso apenas um pretexto que crescia. O espelho gostava do que via. Pra quê perder medidas? Já a outra o sobrepeso não ajudava, ficava disforme, sem brilho e cor na comida, e ainda por cima, o sangue manchava de colesterol. Enquanto uma não sofria, a outra agonizava na cinta. Enquanto uma se achava bonita, a outra acinzentava, e só sossegou e se gostou quando ficou magra. Cada qual em sua beleza, mas a gorda era a mais feliz por natureza.
Deixar de gostar,
é como deixar a bolsa em algum lugar e não ligar de deixar.
Abençoados os chatos que nos mostram que também somos chatos. Eu ouvi amém?
O possível é que faz falta,
o impossível 
nem se nota.
Não era a primeira vez que tinha visto aquele senhor. Tive a impressão que pudesse ser louco. Hoje vi que ele parou um homem para perguntar em voz alta:
"Você poderia me ajudar?" "Claro! O que o senhor precisa?" "Me diga o que é utopia?" Não fiquei para ouvir a resposta. Cheguei a ver o homem que ele parou sorrindo ao longe, mas fui embora com a pergunta mais inteligente dos últimos tempos ouvida na rua.
não beba depois do sexo,
não coma depois do sexo,
não fume depois do sexo,
não suma depois do sexo,
não morra depois do sexo,
não corra depois do sexo,
não durma depois do sexo,
não pule depois do sexo,
vire de lado, disfarce, discretamente puxe
o livro que você deixou cair embaixo da cama,
lá está escrito que você não bebeu depois do sexo,
não comeu depois do sexo,
não fumou depois do sexo,
não sumiu depois do sexo,
não morreu depois do sexo,
não correu depois do sexo,
não durmiu depois do sexo,
não pulou depois do sexo,
nem sentiu um vazio.
olha, isto pode ser um sinal.
Dia de chuva é feito pra fazer festa quando for dia de Sol.
O direito à vida
é certo quando se respira,
a morte não tem direito
nem segurando 
a respiração,
a vida não termina quando
a respiração para.
Segundo a lei,
mas lei pra vida não conta.
As folhas correm na calçada, fogem da chuva.
e antes de cair 
e depois que cai,
e antes de crescer,
e depois que cresce.
A flor.

domingo, 13 de agosto de 2017

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ele é bonito,
pois finge bem
que não é.
Finge que não é comigo,
é com todo mundo
o carisma que traz solto no rosto.
Ele é bonito,
pois finge bem
que a roupa foi
displicente escolhida.
Finge que não é comigo,
fala com todo mundo
com o mesmo carinho.
Ele é bonito,
pois finge que o perfume
não é dele, é misturado com abraços.
Ele é bonito,
pois eu me vejo nele.
Para dois livros e um caderno que perdi ontem.
Torce o pé,
mochila pesada,
tira os livros e o caderno de espiral pequeno de dentro,
esvazia um pouco,
depois perde os livros e o caderno
num dos bancos que sentou
no trajeto, tantos bancos que
nem lembra mais,
mas não perde a mania
de tentar uma forma
de levar consigo
os sonhos.
Ainda dói o calcanhar,
sente o dó da perda,
mas espera que
quem achou pelo
menos leia os livros e o caderno,
que valiam o peso,
a torção do pé
e todo o resto.
Ela nem gostava de loiro, mas um tipo alemão Hilbert estava na fila da lotérica, atrás dela, quatro pessoas.
"Próximo!" Ela jogou as moedas no guichê. A moça do caixa depois de contar, perguntou: 
"Fala um número, faltou um!"
"34!" Ela disse. 
Ao sair da lotérica, o alemão que ainda estava na fila falou alto: 
"Eu também joguei no 34!"
Ela chegou perto e soltou: "Boa sorte!" E saiu aborrecida por não ter tido a coragem de falar:
"Me dá seu número?"
O que eu sinto
é tão intenso,
Penso
que não amo,
amor não tem
nada a ver
com isso.
Um dedo de azul borra a boca do dia 
que saliva pedindo
água.
Eu podia estar roubando, mas estou aqui esperando um beijo seu.
A Lua ficou amarela, 
pra ninguém esquecer dela.
Caminhei em direção à Lua, e ela parada,
não entendeu nada.
Céu sem nuvem,
Sol sem sombra 
de dúvida
Viver é estranho, incompreensível, mas é insuportavelmente interessante.
Svetlana Alexievich
Com a cabeça cheia,
as palavras saem esmagadas.
O povo tem levado na carne, no bolso, na dignidade e não faz nada!
A droga que nos deram foi muito pesada.
Você vai achar que este poema
eu fiz pra você,
eu sei.
Mas este nem poema é,
é um anúncio de páginas amarelas
feito pra chamar atenção pras coisas belas.
Nem poema é,
pode ver que
tem nota de roda pé.
Cai sem cerimônia,
mas abençoa, chuva!
"Se Deus quiser" depende do seu livre-arbítrio.
Românticos guardam frases, olhares, gestos, músicas, pequenos papéis de Beatriz Milhazes
em guardanapos escritos com número de telefone que nem existe mais.
São tão antigos, que românticos podem ser encontrados quase vivos nos quadros e estátuas dos museus.
Quando encontrar um romântico na rua, que é raro, faça três pedidos.
Se você quiser ser caridoso, faça um para o romântico deixar de ser bobo
e ser feliz.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Aquele tracinho azul do whats app é culpado pela ansiedade do mundo. A pílula azul é culpada pela ansiedade do mundo. O céu azul é culpado pela ansiedade do mundo. A caneta azul é culpada pela ansiedade do mundo. O olho azul é culpado pela ansiedade do mundo. A baleia azul é culpada pela ansiedade do mundo. O jeans azul é culpado pela ansiedade do mundo. O cabelo azul é culpado pela ansiedade do mundo. Um planeta azul é culpado pela ansiedade do mundo.

Maira Garcia
Busco um pouco de Sol
na janela, esse que ainda esquenta às quatro horas.
E um pouco de
conversa aqui dentro.
Meu corpo reconhece
o calor que ainda toca minhas costas às quatro horas de um Sol de inverno,
massageando meu ego
e o meu silêncio.
Românticos guardam frases, olhares, gestos, músicas, pequenos papéis de Beatriz Milhazes
em guardanapos escritos com número de telefone que nem existe mais.

São tão antigos, que românticos podem ser encontrados  quase vivos nos quadros e estátuas dos museus.

Quando encontrar um romântico na rua, que é raro, faça três pedidos.

Se você quiser ser caridoso, faça um para o romântico deixar de ser bobo

e ser feliz.

domingo, 30 de julho de 2017

Saudade é palavra
cheia de sal,
pra matá-la
beba muita água,
e diga que é bobagem
sentir saudade
 na boca.
Um compositor
cansado
de compor,
baila com a partitura.
Soltaria confetes do alto
de um prédio.

Confetes que caíssem  apenas em sua cabeça.

Quem sabe assim,
você me olharia!

Teríamos o carnaval.
Ela trazia uma mala de mão, ia se equilibrando com um travesseiro.

Malabares precisos,
desviando dos pedestres,
o tempo inteiro.

Chegou na casa
que ninguém
 estava.
Abriu a porta,
chegou no quarto,
encostou a mala.
Caiu na cama abraçada
 no travesseiro.
Dormiu.
Ontem estava na beira de um bar de rodoviária espiando a bem escrita novela da Glória Perez, o atendente me interpelou:
"Deseja alguma coisa?"
"Não, só estou espiando a novela! Obrigada!"
"Eu não vejo novela, minha patroa é que vê, mas esta novela tem verdades! Você lê a Bíblia?" Fiquei em silêncio. "Tem a moça que quer virar homem, homem que esconde que é mulher, a mulher de bandido! É tudo baseado na vida real!" E prosseguiu. "Se a senhora ler a Bíblia, tem Sodoma e Gomorra, igual tá aí! Imagine que Deus mandou anjos e os homens da cidade quiseram transar com eles! Tá igual, não vai sobrar nada." "É importante retratar na novela a questão do trans, é muito sofrimento o que eles passam!" Olhei pra plataforma, meu ônibus chegou, me despedi, subi  pensando no vão que existe em muitos de nós, fiquei olhando pro bar, vendo a criatura que coberto de inocência enxerga a Bíblia na novela que ele não vê.
Há muito tempo
que não me apaixono,
não invento história

Escrevo sobre amor

de memória.
Os pés nem
se conhecem,
mas já dormem juntos.
Dorme no parapeito
 do prédio
e sonha com os ranchos,
as matas,
e as praias,
mas acorda,
e encontra apenas
árvores na calçada,
onde voa como
quem esquece o sonho.
Os pés nem
se conhecem,

mas eles vão
mesmo assim,

como se tem feito
desde o princípio,
meio e fim.
A melhor coisa na euforia
É quando ela passa.
A alegria podia ser enrolada nas meias,
ao abrir gavetas
a felicidade.
Esperança tem muito de espera.
Segura o celular como se fosse outra mão.
Desliza sem tocar as unhas.
Tem um espelho pra retocar a paisagem.
Tem as palavras, a voz a imagem, mas não contém pessoa. Pessoa não precisa de bateria e fica muito feliz em ganhar um abraço.
Seu celular não tem abraço?
Então você não tem nada em mãos.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

domingo, 23 de julho de 2017

O perfume que fica
 na roupa,
 dá dó de lavar.

Deixa nas tramas uma história bonita, que só
um cheiro bom fica.
Amar é fácil falar,
quero ver falar
do quase.

sábado, 22 de julho de 2017

Um botão do casaco
 se perdeu na mão de um,
 que foi embora e esqueceu no bolso de um beijo silencioso.

Depois em casa,
 achou
 no bolso.

Ninguém ligou pra ninguém, mas o botão ficou na mão do moço,
que demorou pra ligar,
tanto que ao tentar,
o botão já estava
pregado em outro.
A gente morre de mentira quando esfria.
E nasce de verdade quando esquenta.
Frio é você com você,
com calor é você e o outro.

domingo, 16 de julho de 2017

Ele surgiu na entrada do cinema, no alto do seu cabelo preso, terno cinza, postura curvada. Depois sumiu. Surgiu sorrindo para entrar na mesma fileira que ela, atrapalhada, sentada de saia florida, pipoca no meio das pernas. Seu lugar era ao lado dela, mas só encorajou quando um casal cobrou o seu assento. Conversaram até o trailer começar. O filme era pra rir, riram uníssonos. O filme era pra constranger, silenciaram. Na hora do letreiro, não se sabe o porquê, deu uma vontade louca dela ir embora e dar tchau. Lá fora, se viram pelo espelho do hall, ele sorriu, ela ficou sem graça e não olhou mais. Quando viu ele já tinha ido embora. E ficaram com essa história até dormir. E esqueceram, que é sempre melhor assim. Mas a cidade grande quando quer fica bem pequena, se reencontraram tempos depois no mesmo cinema, aí ele segurou nas mãos dela e disse "hoje ninguém dá tchau."

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Engana-se quem tem muita certeza.
Ontem tive uma experiência interessante. Peguei um papel e escrevi palavras que eu gosto. De repente elas me levaram para o lugar que elas moram na minha imaginação. Assim eu meditei segurando um lápis, apoiada num caderno.
a fome mata
tiros no prato que cala
Com você eu dei na vista. Minha miopia impressionista.
Amigos são gurus.
Um pedaço de Sol
num olho fechado,
madrugada.
Tanta coisa não acontece para outra acontecer.
A borboleta branca,
algodão que flutua,
que por mim
passa fingindo
que é Lua.
Coração foi encontrado novinho em folha.
Eu escolho o dia pelos olhos,
domingo tem os olhos pretos,
não se enxerga a pupila,
apenas seus apelos.

domingo, 9 de julho de 2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O azul dói nos olhos
 tristes,
que se fecham,
até o dia de colocar
 lentes escuras.
Até o dia que não
precisam mais de óculos,
com olhos bem abertos.
O dia da cura.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

segunda-feira, 3 de julho de 2017

É quando você passa
 que a vida fica
 cheia de graça,
e depois
que você passa
tudo fica sem graça
até aparecer a vida.

domingo, 2 de julho de 2017

quinta-feira, 29 de junho de 2017


Faça
um poema
sorriso,
 pra fazer
 a boca de
quem lê
 um
improviso
de um beijo.

quarta-feira, 28 de junho de 2017



Uma fechadura
com a chave dentro.

Tirou a chave,
espiou o outro lado.

Era o futuro,
bastaria abrir a porta.

domingo, 25 de junho de 2017

Abrir mão dos sonhos
e não conseguir
mais
 fechar a mão.
Outros sonhos
 pousam
e ficam.




quarta-feira, 21 de junho de 2017



O livro é aberto na mesa, as folhas dividem ao meio e se equilibram flutuando até pousar na capa. Pela fresta do livro, sai a mulher com uma revista nas mãos. Pedem gibis os que não alcançam as estantes. Um menino pega, corre e tropeça em seu chinelo. Ao cair é socorrido pela atendente. Numa mesa, o morador de rua consegue matar piolhos na página do livro que ele nunca leva. Idosos discutem política quase rasgando o jornal de empréstimo e são lembrados do barulho. A moça que estuda para concurso espera seu amigo pra aprender matemática. O poeta rascunha versos em papel de pão e coloca nos livros achando que ninguém está vendo. A menina que já leu todos os livros da Clarice, agora lê Cervantes, vem renovar o empréstimo. O funcionário da prefeitura, com o livro atrasado, reclama para bibliotecária seus dias mais que imperfeitos. O casal atrás da estante irrita a todos com o estalar e gemidos de seus beijos.
O livro que se fecha na mesa, alguém o leva certo de ser um de seus protagonistas.

Para a Biblioteca do Sesc Carmo, que me trouxe os personagens deste texto.

sábado, 17 de junho de 2017

sexta-feira, 9 de junho de 2017

quinta-feira, 8 de junho de 2017

segunda-feira, 5 de junho de 2017


não compreendo as mensagens que ficam sem resposta, sem sinal de leitura, mudas.

uma importância
 absurda, compreensível
em letras tão pequenas que necessitam uma lupa.

dou-me importância
 porque me deram,

mas devolvo e acordo
que isso não importa,
damos o lugar que queremos,
e não é permitido nos tomarmos por sérios. Fiquemos com os risos.

sábado, 3 de junho de 2017

Não acho certo
 jogar sentimento
onde não se tem.

Fazer quem sente
de bobo,
esperando um  troco,
um vintém.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

José, um rapaz cor de caramelo,
estatura plena,
faz bichos de papel
envernizado na saída
 do Parque  Dom Pedro,
em São Paulo.
Tem o coração puro e a palavra de Deus na ponta das mãos.
Vá conversar com ele e leve seu trabalho leve.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O homem de mais idade, que de meia era pouca, cor entre bege e caramelo, porte médio e sua muleta prata, a cada passada de perna dizia:"Deus está contigo!". Esta frase, uma mania falada em timbre baixo, pra se ouvir na altura do ouvido, naquele dia, foi ouvida por uma menina cinza, que de alguma coisa desistia. Ao ouvir "Deus está contigo!", ela voltou e deu um abraço forte no homem e disse: "Foi bom de ouvir, agora não vou desistir!" E o homem assustado sem entender palavra, deu uma passada na muleta e repetiu ao se despedir: "Deus está contigo!"

sábado, 27 de maio de 2017

As pessoas não querem conselhos, querem ser ouvidas.
Você apaga, desiste de um poema, mas o texto não morre, vai nascer em outra pessoa, outro gênero, número e grau.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

A declaração de amor
recebida,
em segredo,
encaminho,
cheia de dedos,
com flores de maio,
para outro endereço.
Aproveito a deixa,
economizo latim,
e aguardo a resposta
que não tive
pra mim.
Estão espalhados pelo Centro,
com seus panos e mantas cinzas.
Unhas e peles encardidas, cinzas.
Estão pedindo comida ao invés de pedra.
Cinza.

terça-feira, 23 de maio de 2017

A melancia cortada na banca da calçada,
na esquina paulistana.
O cheiro se mistura ao vento frio.
Do outro lado do Centro, 
homens correm feito ratos, contra o vento.
A felicidade não pode ser plena,
enquanto pessoas estão sofrendo.
Eu não preciso estar apaixonada pra escrever sobre amor. Eu apenas preciso estar viva.
Ganhar duas caronas de guarda-chuva no mesmo dia é muito Sol!
O cheiro da chuva na terra.
O cheiro da chuva no asfalto. 
O cheiro da chuva na pedra. 
O cheiro da chuva no alto. 
O cheiro da chuva lembra histórias tão suas que a boca nem responde. 
O cheiro da chuva é cortesia do céu. Aproveite.
Ontem, estava no trem
e o celular de alguém
avisava
que o presidente tinha
caído.
Sem bateria,
eu acreditava,
e sonhava
que a Reforma
da Previdência parava.
Como eu sorria!
Cheguei em casa
e nada,
mas
amanhã ele cai.
A chuva desmancha os olhos
O que sempre foi feito, descoberto, é como a traição. Você pode perdoar mas continua com a sensação recorrente que vai acontecer de novo, ou você rompe e começa tudo de novo. Precisamos romper com eles.
Perder tempo,
como se pudéssemos perder o que não temos.
o outono é um ensaio 
do inverno e ponto.
Pedaços de bijuterias.
Frascos de perfumes
com uma gota de cheiro.
Bolas de gude verdes.
Santinhos com orações
pra distribuir em igreja.
Alfinetes de tamanhos variados
feitos na China.
Caixa de metal com aparelho
de barbear e espelho.
Saquinho de bolas de naftalina.
Batons começados,
esmaltes endurecidos.
Sabonete Lux.
Botão grande sozinho.
Grampeador.
Agenda telefônica tão pequena
que quase não dá pra ver o número.
Achei seu telefone. É fixo.
Só resta saber se você ainda está por aqui.
Tinha meia hora pra fazer algo pela rua. Passou na lotérica, quina acumulada em dez milhões, pegou o bilhete riscou os números de sempre, e aguardou na demora de alguém na fila que sacava o fgts. Surge uma senhorinha dentro da lotérica, com saia comprida, Bíblia na mão e coque:
- Moça, qual é o bilhete da mega?
- É esse.
- Qual você vai jogar?
- Na quina.
- É mais barato?
- Um e cinquenta.
- Vou jogar esse! Escreve pra mim? Quem sabe você me dá sorte?
Ela assinalou números diferentes do jogo que sabia de cor, só repetiu o número cinco. Ainda tinha um tempinho, foi na loja de doces. Entrou no trabalho e um pouco tarde dentro daquela meia hora, percebeu que a mulher que queria dividir o prêmio com ela era a sorte.

domingo, 21 de maio de 2017

Ontem, estava no trem
 e o celular de alguém
 avisava
 que o presidente caia.

Sem bateria,
eu acreditava,
e sonhava
 que a Reforma
da Previdência parava.

Como eu sorria!

Cheguei em casa
e nada,
mas
amanhã ele cai.

domingo, 14 de maio de 2017

O amor não chega logo de propósito,
quer que você tenha tempo de viver sem.
Planeje seus sonhos,
arrume suas coisas,
tome posse de coisas concretas.
Porque quando for embora,
que tem amor que um dia vai.
Você fique bem.
Até a próxima chegada.
Pedaços de bijuterias.
Frascos de perfumes
com um dedo de cheiro.
Bolas de gude verdes.
Santinhos com orações
pra distribuir em igreja.
Alfinetes de tamanhos variados
feitos na China.
Caixa de metal com aparelho
de barbear e espelho.
Saquinho de bolas de naftalina.
Batons começados,
esmaltes endurecidos.
Sabonete Lux.
Botão grande sozinho.
Grampeador.
Agenda telefônica tão pequena
que quase não dá pra ver o número.
Achei seu telefone. É de fixo.
Só resta saber se você ainda está por aqui.