quinta-feira, 30 de março de 2017

terça-feira, 28 de março de 2017

Eu gosto de samba,
Só Não sei dançar 
Em par.

Sozinha imito a mulata.
Sambo bem branca,
arrastando,
ganho risada.


Me aproprio,
no samba,
não valho nada.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Não escrevo tudo que vivo, mas vivo tudo que escrevo.
Deve existir
uma frase 
de efeito, 
um lugar 
comum
onde

 eu possa
deixar
você
como

 está.
Gostar de um poema logo de cara, é o mesmo que comer uma iguaria, se detesta, ou se delicia. Também é o mesmo que preferir Tubaína a guaraná coisa fina, gostar de paçoca e não de amendoim. É mais ou menos assim. Nem todo poema é gostoso, mas é preciso o gosto de provar.
A vida é mais ouvir
do que falar.
É domingo quando
 se acorda.

 Meio dia, e já está
no meio do caminho.

 É segunda quando
 se acorda em poucas horas.

sábado, 25 de março de 2017

O jeito que você fecha seu guarda-chuva, dobra a barra da calça,
 passa o perfume, lixa a unha, divide o cabelo.
São essas bobagens que me fazem acreditar na beleza 
que existe apenas em momentos pequenos.
Eu corro do que 
mais escrevo. 
E o que mais escrevo
não me alcance, 
que nada será 
como antes.

E o peito repousa em lugar nenhum pra
acordar com saudade.
Não tem que ter dia da poesia, poesia é todo dia.
O frio entra na roupa, sem pedir licença.
Mal educado.
Corro do que mais
gosto de escrever.
Se conseguir me
alcançar
talvez pare,
Que a sedução
 termina.

sexta-feira, 24 de março de 2017

quarta-feira, 22 de março de 2017

 Perdeu! O motoqueiro levou a mochila preta da moça. Em casa, vasculhou seus pertences. Cinquenta reais, batom, uma agenda. Abriu a agenda, um bilhete de quina com algo escrito no verso. Não acreditava em loteria, acreditava em ganhar dinheiro da forma que fazia. Deu vontade de jogar o bilhete no lixo, deixou ali. Na rua, na correria, teve tempo de passar na lotérica, anotou os números e foi embora. Chegando em casa, verificou o bilhete e os números conferiram, acertou as cinco dezenas. Olhou no verso, e viu um CPF, o nome e um número de telefone, e resolveu ligar no privativo, o nome dela era Renata:
- Oi, Renata, tudo bem? 
- Quem é?
- Olha, não é trote, eu levei sua mochila pois eu precisava, sabe? Mas estamos com um probleminha.
- Como conseguiu meu telefone, desgraçado?
- Vamos manter o nível, que o assunto é do seu interesse. Seu telefone estava atrás do bilhete de loteria. Você foi premiada, eu preciso devolver pra você, que está escrito aqui que é intransferível, entende?
- Como eu vou saber que isso não é um pretexto para um sequestro?
- Anota os números, 09, 17, 32, 38 e 45. Confere aí na internet, eu te ligo daqui uns cinco minutos.
-Fechou.
Passado os cinco minutos.
- Renata, o que você vai fazer com 600 mil?
- Não sei. Preciso pegar com você o bilhete.
- A gente faz assim, eu vou deixar sua agenda com o bilhete, num saquinho de supermercado amarrado num portão, no endereço que eu vou te passar depois. Ligou pra Renata, ele passou o endereço, ela pegou o bilhete. Renata rica, ladrão pobre foi preso roubando outra mochila. Ficou dois anos preso. Quando saiu da prisão ligou pra Renata que ofereceu emprego de motoboy entregador de pizza, da pizzaria rica que ela comprou. O boy cansou da correria, aceitou.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Quer que se ouça,
e que fale
O que vale a pena,
E que se silencie
o cio dos problemas.
A chuva que não cai,
E esse querer
que não se entrega.
A confissão
que não sai.
Sentimento à beça.
Queria muito,
muito nada.
Queria muito,
muito pouco.
Mas tem que ser
um
pedaço


que você não sinta falta.
Não existe coisa mais bonita
do que ver alguém dando
a volta por cima.

Do chão, é a perna
que voa e rodeia.
Do céu, é ver o levantar
da poeira.
As palavras na boca,
foram mastigadas.
Juntas digerem um coração.
A chuva não caiu,
Foi banho.

O céu não escureceu.
Alguém apagou a luz.

A lua não apareceu.
Você fechou os olhos.
São as pessoas que me trazem o poema do dia, chegam frescas, ventiladas como a brisa perfumada da primeira hora da feira. Param na minha frente, mudam de cor, falam do amor e da dor. Sempre me perguntam, você está com alguém aí? Eu não minto, pois podem ser vistas dentro dos meus olhos, então digo que sim, pois sou apaixonada por elas, das tantas vezes que as escrevo aqui e ali.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Se sentir inadequado,
Deixa a pessoa triste
em demasiado.

Alivia saber,
que você pode estar certo
no lugar errado?

segunda-feira, 13 de março de 2017

Vai, que a Lua está cheia.
Vai, que a Lua está
Vai, que a Lua
Vai, que a
Vai, que
Vai

domingo, 12 de março de 2017

Um dedo de prosa,
a mão segurando uma rosa.

O ouvido,
a boca seca
falante comigo.

Muito do que se versa
pede silêncio ou conversa.
Aqui é onde tudo vivifica.
Um livro vai, mas a poesia fica.
Deveria ser proibido
escrever num dia esquisito.

Não cola esse pedido,

Pois pode ser o dia do melhor escrito.

O vazio cria espaços para guardar os defeitos, e refeitos somos mais bonitos.
Estar no lugar errado,
não se sabe de que lado.
É estar perdido.
Um livro carcomido,
Alguma Poesia, do Carlos Drummond de Andrade, em estado terminal, no balcão da estação de trem.
Sujeira de toda ordem, rasgos, mas consegui ver João, que em muitos agoras, amava Maria, me acenando. Tentei salvá-los. Dei conta do quão triste fica um livro que vai ao lixo. Queria ter a certeza que virá a ser outro, mas o poeta, em rompante de existencialismo diria, aqui é onde tudo vivifica. O livro vai, mas a poesia fica.
Depois da chuva, o avião ao longe, os carros. Depois da chuva a solidão, o cigarro. Depois da chuva, nenhuma urgência, apenas a felicidade de chegar.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Deixe as promessas
Num lugar onde
o vento as leve.

 Há esperanças que nascem

De promessas perdidas.

domingo, 5 de março de 2017

Existe um tempo
 que o corpo não quer um corpo.

Suspeita-se que deseja uma alma.

Que chega em dia de chuva,
com os ânimos calmos,
na espera do fim da tempestade.

E é bonito quando
um corpo ganha vida.
A gente fala fácil, e escreve difícil, quando quer, pois não é fácil se fazer ler. A gente gostaria de ser livro onde as palavras, sejam elas quais forem, ficam bonitas, mas também ficam bonitas feias. Sabem ficar feias, mas deixam quem escreve bonito. A gente queria ser livro.
Fui para a República agora de noite, segui contra o fluxo dos blocos e fui parar no Municipal. Pessoas aguardavam o intervalo das apresentações sinfônicas, foi aí que conhecemos, na hora da chuva, dois senhores na casa dos 80 anos. Um era editor chamado Álvaro e outro ator, o Aldo. Deu tempo de falar de política, discutir feito gente grande, com todo respeito. Deu tempo de recitar poema e ver o Shopping Light trocando as cores das luzes, os meninos de maiô, as meninas de biquíni, as poças dágua manchadas de purpurina, o carrinho de cerveja. Deu tempo de ver o bloco passar antes de terminar o intervalo.
O espelho avisa o tempo que passa. O relógio, o que você faz enquanto
olha pro espelho.
Repete as mesmas histórias,
ri das mesmas piadas,
é cheio de graça.

Até que um dia esquece
 como a história termina.

E inventa um novo fim.

sexta-feira, 3 de março de 2017

As gotas da chuva ritmadas. A buzina. O latido ao longe. O sinal do celular. O trovão que avisa que vem mais chuva. As rodas dos carros e o motor em uníssono passando na rua. A sirene da ambulância pra lembrar que tudo pode terminar agora.
O poema tem uma voz que canta.
A cantada do poema se destina a todo mundo que ouve, a todo mundo que nele toca, a todo mundo que lê. A sedução que encanta não é privilégio de ninguém.
Cai a poeira
Pedaços de estrelas queimadas do Sol.

Cinzas da quarta.

quarta-feira, 1 de março de 2017