quarta-feira, 21 de junho de 2017



O livro é aberto na mesa, as folhas dividem ao meio e se equilibram flutuando até pousar na capa. Pelo livro, sai a mulher do perfume forte com uma Sabrina nas mãos. Outras mãos que não alcançam o balcão pedem gibis. O chinelo de borracha verde gasto pega um, e sai correndo, mas cai e é socorrido pela atendente. Numa mesa, o morador de rua que consegue matar piolhos na página do livro que ele nunca leva. Os idosos discutem política quase rasgando o jornal de empréstimo precisam ser lembrados do silêncio. A moça que estuda para concurso, o rapaz chega pra ensinar matemática pra ela. O poeta bêbado rascunha versos em papel de pão e enfia nos livros das estantes. A menina que já leu todos os livros da Clarice, agora lê Cervantes, vem renovar o empréstimo e leva o segundo tomo, numa mochila pesada. O funcionário da prefeitura reclama de dias mais perfeitos. O casal que irrita a todos com o estalar e gemidos de seus beijos.
A biblioteca e o livro que se fecha.

sábado, 17 de junho de 2017

sexta-feira, 9 de junho de 2017

quinta-feira, 8 de junho de 2017

segunda-feira, 5 de junho de 2017


não compreendo as mensagens que ficam sem resposta, sem sinal de leitura, mudas.

uma importância
 absurda, compreensível
em letras tão pequenas que necessitam uma lupa.

dou-me importância
 porque me deram,

mas devolvo e acordo
que isso não importa,
damos o lugar que queremos,
e não é permitido nos tomarmos por sérios. Fiquemos com os risos.

sábado, 3 de junho de 2017

Não acho certo
 jogar sentimento
onde não se tem.

Fazer quem sente
de bobo,
esperando um  troco,
um vintém.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

José, um rapaz cor de caramelo,
estatura plena,
faz bichos de papel
envernizado na saída
 do Parque  Dom Pedro,
em São Paulo.
Tem o coração puro e a palavra de Deus na ponta das mãos.
Vá conversar com ele e leve seu trabalho leve.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O homem de mais idade, que de meia era pouca, cor entre bege e caramelo, porte médio e sua muleta prata, a cada passada de perna dizia:"Deus está contigo!". Esta frase, uma mania falada em timbre baixo, pra se ouvir na altura do ouvido, naquele dia, foi ouvida por uma menina cinza, que de alguma coisa desistia. Ao ouvir "Deus está contigo!", ela voltou e deu um abraço forte no homem e disse: "Foi bom de ouvir, agora não vou desistir!" E o homem assustado sem entender palavra, deu uma passada na muleta e repetiu ao se despedir: "Deus está contigo!"