sexta-feira, 29 de maio de 2020

É difícil pegar o poema
na mão,
encontrar um lugar melhor
pra ele sentar,
ver se está respirando
 direito.
Lembrar por que ele nasceu.
E ele implora com as letras
juntas, expostas,
que se mantenha vivo ali:
 "Não me apague!"

Este poema eu postei no Facebook no ano passado, hoje ofereço ao moço negro americano que implorou pra viver. E aos que imploram por aqui também.

Ao George Floyd

segunda-feira, 11 de maio de 2020



Mãe é uma coisa tão grande
que não cabe na palavra pequena

Agora que o lugar seguro volta a ser a casa, vemos como você é imensa

No mundo em todos os lugares vazios
enxergamos a sua presença

E se não podemos tocar,
 abraçar
 e beijar
e usamos máscara,

Basta lembrar do seu colo
que tudo passa.

Maira Garcia

domingo, 19 de maio de 2019

Declarar o amor
a alguém
nem sempre convém,

Pode vir na resposta
o silêncio,
ou ouvir o sinto muito
não sinto o mesmo.

O que dói, nem é o fora,
é lembrar toda hora
que sua avó disse pra não fazer isso.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Quero heróis e heroínas
de morte morrida,
que de morte matada
aumenta minha agonia.

Quero heróis e heroínas
de morte natural,
que o coração pare
de bater por querer.

Quero heróis e heroínas
que não desistam da lida,
porque precisamos
deles ainda.

Quero heróis e heroínas
de morte sonhada,
com festas de despedida.

sábado, 3 de novembro de 2018

Do lado do cemitério rolava um sambão, faltava pouco pra fechar, faxineiras limpavam as lápides, lixeiros recolhiam o que deixaram pelo caminho. O chuvisco exigiu que eu abrisse minha sombrinha. Ao olhar pro chão ouvi os pássaros se misturando com o samba, levantei a sombrinha e dei de cara com elas:


Não quero velas
nem
 vaso de flores
no meu túmulo,

quero roseiras,
que enfrentam o vento e a chuva,
com as que vi hoje no finados.

E se não tiver túmulo,
quero as roseiras.

quinta-feira, 19 de julho de 2018



As duas notas iniciais desta canção é a mesma que você ouve na campainha na maioria dos restaurantes de shopping, Chovendo na Roseira do Tom Jobim:
"O-lha..." Fiquei cantando pra minha sobrinha na tentativa dela esquecer Vai malandra que ela me ouviu cantando outro dia. Não deu certo, Anita.

https://www.youtube.com/watch?v=cuMJuufP5Tk&feature=share

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Figura (conto)

Disseram que ele não era quem ele era. Ao ouvir isso foi ficando triste, desbotado e cinza, até desaparecer dentro do livro. Até que um dia abriram o livro e apontaram para a página em branco e começaram a contar o que toda gente sabia. A figura surgiu cinza, abriu um monte de cores, ficou alegre, tomou forma, e pulou do livro, Caiu em cima de mim, pediu desculpas e contou essa história.