segunda-feira, 24 de julho de 2017

domingo, 23 de julho de 2017

O perfume que fica
 na roupa,
 dá dó de lavar.

Deixa nas tramas uma história bonita, que só
um cheiro bom fica.
Amar é fácil falar,
quero ver falar
do quase.

sábado, 22 de julho de 2017

Um botão do casaco
 se perdeu na mão de um,
 que foi embora e esqueceu no bolso de um beijo silencioso.

Depois em casa,
 achou
 no bolso.

Ninguém ligou pra ninguém, mas o botão ficou na mão do moço,
que demorou pra ligar,
tanto que ao tentar,
o botão já estava
pregado em outro.
A gente morre de mentira quando esfria.
E nasce de verdade quando esquenta.
Frio é você com você,
com calor é você e o outro.

domingo, 16 de julho de 2017

Ele surgiu na entrada do cinema, no alto do seu cabelo preso, terno cinza, postura curvada. Depois sumiu. Surgiu sorrindo para entrar na mesma fileira que ela, atrapalhada, sentada de saia florida, pipoca no meio das pernas. Seu lugar era ao lado dela, mas só encorajou quando um casal cobrou o seu assento. Conversaram até o trailer começar. O filme era pra rir, riram uníssonos. O filme era pra constranger, silenciaram. Na hora do letreiro, não se sabe o porquê, deu uma vontade louca dela ir embora e dar tchau. Lá fora, se viram pelo espelho do hall, ele sorriu, ela ficou sem graça e não olhou mais. Quando viu ele já tinha ido embora. E ficaram com essa história até dormir. E esqueceram, que é sempre melhor assim. Mas a cidade grande quando quer fica bem pequena, se reencontraram tempos depois no mesmo cinema, aí ele segurou nas mãos dela e disse "hoje ninguém dá tchau."